Operação Mata Atlântica em Pé 2026 identifica 348,67 hectares de desmatamento ilegal em Mato Grosso do Sul

por Redação Voz da Região MS

MPMS participou da maior ação integrada de fiscalização ambiental do país, que mobilizou 17 unidades da Federação; Imasul aplicou mais de R$ 1,5 milhão em multas a partir das atuações remotas

A edição 2026 da Operação Mata Atlântica em Pé identificou 348,67 hectares de desmatamento ilegal em Mato Grosso do Sul. As ocorrências foram constatadas a partir da análise de 18 alertas de desmatamento, distribuídos em 15 municípios do Estado, registrando uma expressiva redução na extensão das áreas atingidas em comparação com a edição do ano passado.

Os dados foram analisados, processados e validados pelo Núcleo de Geotecnologias (Nugeo) do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que utilizou ferramentas de geotecnologia e sensoriamento remoto para qualificar e confirmar as áreas indicadas pelos alertas.

Após a validação técnica, as informações foram encaminhadas ao Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), responsável pela adoção das medidas administrativas cabíveis. A partir dos dados encaminhados, o Imasul realizou autuações de forma remota, resultando na aplicação de R$ 1.521.044,00 em multas aos responsáveis pelas áreas identificadas.

O coordenador do Nugeo/MPMS, Promotor de Justiça Luciano Loubet, destaca a importância da inteligência de dados para a eficácia das fiscalizações:

“O uso de geotecnologias avançadas transformou a fiscalização ambiental em Mato Grosso do Sul. A validação rápida e precisa dos alertas pelo Nugeo permite que o Imasul atue de forma remota e imediata, garantindo que a infração não passe despercebida. Essa integração entre inteligência de dados e órgãos executores é o que tem permitido frear o avanço do desmatamento ilegal e proteger o remanescente da nossa Mata Atlântica”, pontua.

A ação faz parte da mobilização nacional realizada simultaneamente nos 17 estados abrangidos pelo bioma entre 17 e 27 de agosto. A força-tarefa une Ministérios Públicos, órgãos de fiscalização ambiental e forças policiais em uma atuação baseada em inteligência geoespacial e monitoramento por imagens de satélite (como a plataforma MapBiomas Alerta). O balanço consolidado de todo o país será divulgado nesta sexta-feira (28/08).

A coordenação nacional da Operação Mata Atlântica em Pé é conduzida pela Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (ABRAMPA) e pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), com apoio da Fundação SOS Mata Atlântica.

Como nas edições anteriores, participaram da mobilização: Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás e Mato Grosso do Sul.

O resultado geral da operação foi apresentado durante coletiva de imprensa, nesta sexta-feira (28), no Centro Universitário Dom Helder, em Belo Horizonte (MG), marcando a abertura do Seminário 20 anos da Lei da Mata Atlântica e a realização da primeira edição do Prêmio Mata Atlântica em Pé.

Integração e tecnologia

Para Alexandre Gaio, presidente da ABRAMPA, a operação consolida um modelo bem-sucedido de trabalho planejado e articulado.

“O monitoramento contínuo, aliado à fiscalização híbrida, presencial e remota, e à efetiva responsabilização dos infratores, tem fortalecido a proteção da Mata Atlântica e contribuído decisivamente para ampliar o controle sobre o desmatamento ilegal nos últimos anos”.

Segundo dados do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, da Fundação SOS Mata Atlântica, o Brasil registrou uma redução de 40% no desmatamento em 2025 frente ao período anterior e de 60% na comparação com 2020-2021, alcançando a menor taxa em quatro décadas de monitoramento.

Monitoramento, fiscalização e responsabilização

A Operação Mata Atlântica em Pé utiliza alertas de satélite cruzados com bases cartográficas para comprovar a supressão não autorizada de vegetação nativa. Uma vez constatadas as irregularidades:

Sanções administrativas: Aplicação de autos de infração, termos de embargo das propriedades e imposição de multas.

Reparação de danos: Abertura de procedimentos para recuperação integral das áreas degradadas, além da apuração nas esferas cível e criminal.

Restrições cadastrais e financeiras: Bloqueios no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e suspensão de acesso ao crédito rural e outros instrumentos financeiros.

Texto: Danielle Valentim
Foto: Operação Mata Atlântica em Pé

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